Análise sistêmica multimodal das diretrizes da política nacional de humanização e suas implicações no papel do engenheiro clínico

A Política Nacional de Humanização (PNH) representa um programa composto por diversos princípios, diretrizes, métodos e dispositivos que agem em direção da construção de práticas humanizadoras no processo de saúde. Tendo em vista o caráter interdisciplinar dessa compreensão e das ações envolvidas, o presente trabalho propõe o uso de metodologias de análise sistêmica propostas recentemente pela chamada escola dooyeweerdiana de filosofia da tecnologia. Empregando o conjunto de quinze aspectos modais como princípios para uma abordagem sistemática para a interdisciplinaridade, situou-se as diretrizes e ações da PNH, bem como o papel do engenheiro clínico, dentro de diversos relacionamentos inter-aspectuais. A análise identificou, por meio de uma matriz de cruzamento inter-aspectual, os focos de ação contemplados pelas ações da PNH e levantou a possibilidade de consideração de outros focos de ação ainda não considerados. Além disso, entendendo a tarefa do engenheiro clínico como agindo nas implicações do aspecto modal formativo nos outros catorze aspectos, pode-se identificar catorze critérios norteadores do trabalho e como eles se relacionam direta ou indiretamente com as ações da PNH. A partir deste levantamento, pode-se considerar, posteriormente, a implementação de instrumentos, dispositivos e até softwares para gestão e avaliação de práticas e sistemas sociotécnicos visando uma maior humanização na saúde.